Marvels e a arte.

marvels-ross

Originalmente publicado na página da RPHQ no facebook.

Na terça,dia 20/05/2014, aconteceu um bate-papo muito legal sobre quadrinhos de super-heróis na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi em Ribeirão Preto, mediado pelo Amalio Damas, Pablo Lopes e o Cordeiro de Sá. A conversa foi do aspecto mais fantasioso do gênero até a sua importância em termos culturais e históricos.

Depois do debate, fiquei tentando, num exercício meio maluco, resumir toda aquela conversa em uma única imagem,um único quadrinho Super-Heróico, e acabei por chegar nesta presente no texto. A fantástica representação do personagem Phil Sheldon fotografando o Gigante feita por Alex Ross na série Marvels.

Esta imagem é muito evocativa, e alude não só a eterna necessidade de mitos (algo tão antigo quanto Hércules e outros, e ainda mais) mas também confere impacto na importância do gênero para a cultura norte-americana. Surgidos na década de 30, pós crise de 29 e às portas de uma nova guerra, os superseres não foram só uma forma de entretenimento , mas sim uma chance de escapismo oferecida pela fantasia. Isso se manteve por quase todo o século XX, até quando, na segunda metade da década de 80,foi a hora de começar a olhar para trás e rever o significado do que havia sido produzido. Feita já na década de 90, Marvels chegou em um momento em que preocupações mais realistas vinham sendo acrescidas no gênero, os heróis se tornavam mais adultos e sombrios, e a hq trata de fazer uma revisão do período anterior a este, ao mesmo tempo que homenageia tudo que havia de bacana nos super-heróis .

O trabalho de Ross em cima do roteiro de Kurt Busiek capta muito bem estas questões, e poderia facilmente descambar para a velha questão “quadrinhos de super-heróis podem ser tidos como arte”? Não pela técnica realista de Ross, mas por aquilo que ele acrescenta na mensagem contida na imagem e na história. Não é só um desenhar bem, em termos acadêmicos, é trazer os quadrinhos e o assombro da fantasia para o mundo real de uma forma que o mais realista filme de Christopher Nolan não conseguiria.

Por colocar tão bem um ponto importante de um legado cultural do século XX, tenho uma resposta para mim, mas deixo a questão em aberto, e fica a sugestão de leitura de “Marvels” relançada recentemente no Brasil.

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